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Prisão em Flagrante: O Que Fazer e Quais São os Seus Direitos

  • wenersonneiva
  • 1 de ago.
  • 4 min de leitura


Um guia jurídico para você e sua família em um momento de crise

Receber a notícia de que um familiar foi preso em flagrante — ou vivenciar essa situação pessoalmente — é um dos momentos mais angustiantes que uma pessoa pode enfrentar. O desconhecimento sobre o que acontece a partir desse instante costuma agravar o desespero e, pior, pode levar a decisões equivocadas que prejudicam a defesa. Este texto tem como objetivo esclarecer, de forma simples e direta, o que é a prisão em flagrante, quais são os direitos do preso e por que a atuação imediata de um advogado criminalista é determinante para o desfecho do caso.


O que é a prisão em flagrante?

A prisão em flagrante está prevista no artigo 302 do Código de Processo Penal (CPP) e ocorre quando uma pessoa é surpreendida:

  • Cometendo a infração penal;

  • Acabando de cometê-la;

  • Sendo perseguida, logo após, por autoridade, ofendido ou qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autora do fato; ou

  • Sendo encontrada, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir sua autoria.


Diferentemente de outras modalidades de prisão (preventiva ou temporária), o flagrante não depende de ordem judicial prévia — qualquer pessoa pode e, no caso de autoridades policiais, deve efetuar a prisão de quem está em situação de flagrância.


Direitos garantidos ao preso: o que a lei assegura

A Constituição Federal e o CPP estabelecem garantias que devem ser respeitadas em qualquer prisão. Conhecê-las é essencial para identificar eventuais abusos ou nulidades:

  1. Direito de ser informado sobre seus direitos (art. 5º, LXIII, CF): o preso deve ser comunicado de que tem direito ao silêncio e à assistência de advogado.

  2. Direito ao silêncio: ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Ficar em silêncio não é confissão nem agrava a situação processual.

  3. Direito à identificação dos responsáveis pela prisão: policiais devem se identificar.

  4. Direito de comunicação: a prisão deve ser comunicada imediatamente ao juiz competente, à família do preso ou a pessoa por ele indicada, e à Defensoria Pública, quando não houver advogado constituído (art. 306, CPP).

  5. Direito à integridade física e moral (art. 5º, III e XLIX, CF): é vedada qualquer forma de tortura ou tratamento degradante.

  6. Direito à audiência de custódia: em até 24 horas, o preso deve ser apresentado a um juiz.

  7. Lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF): documento formal que registra as circunstâncias da prisão, com nota de culpa entregue ao preso em até 24 horas.


O que fazer no momento da prisão

Algumas orientações práticas podem fazer diferença significativa na defesa:

  • Mantenha a calma e não resista à prisão, mesmo que você acredite ser injusta. Resistência pode configurar novo crime (art. 329, Código Penal).

  • Exerça o direito ao silêncio até a chegada do advogado. Declarações dadas sem orientação técnica podem ser usadas posteriormente, ainda que de forma equivocada ou fora de contexto.

  • Solicite, de forma clara e reiterada, a presença de um advogado. Esse é um direito inegociável.

  • Memorize ou anote (se possível) nomes, números de matrícula dos policiais e circunstâncias da abordagem — dados relevantes para eventual questionamento da legalidade da prisão.

  • Comunique a família ou peça que a autoridade o faça, conforme prevê a lei.


A audiência de custódia: uma garantia fundamental

Instituída pela Resolução nº 213/2015 do CNJ e hoje prevista expressamente no CPP, a audiência de custódia exige que o preso seja apresentado a um juiz em até 24 horas após a prisão. Nessa oportunidade, o magistrado avalia:

  • A legalidade da prisão;

  • A ocorrência de eventual tortura ou maus-tratos;

  • A necessidade de conversão em prisão preventiva, concessão de liberdade provisória (com ou sem medidas cautelares) ou relaxamento da prisão (quando ilegal).


A presença de um advogado nessa audiência é determinante: é o momento em que se pode demonstrar, tecnicamente, a ausência dos requisitos para a manutenção da prisão.


Prisão em flagrante não significa condenação

É fundamental esclarecer um ponto que gera muita angústia entre familiares: a prisão em flagrante é uma medida cautelar, não uma sentença condenatória. O preso é, até o trânsito em julgado de eventual condenação, presumido inocente (art. 5º, LVII, CF — princípio da presunção de inocência).


Diversos desfechos são possíveis após o flagrante:

  • Relaxamento da prisão, quando constatada ilegalidade na sua realização;

  • Concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança e medidas cautelares diversas da prisão (art. 319, CPP);

  • Conversão em prisão preventiva, quando presentes seus requisitos (art. 312, CPP);

  • Impetração de habeas corpus, remédio constitucional para questionar prisões ilegais ou abusivas a qualquer tempo.


Por que a atuação imediata de um advogado é decisiva

O tempo é o fator mais crítico em uma prisão em flagrante. As primeiras 24 horas concentram decisões que podem definir o rumo de todo o processo: a forma como o auto de prisão é lavrado, a preservação de provas, o comportamento do preso perante a autoridade e a estratégia a ser apresentada na audiência de custódia.


Um advogado atuando desde o primeiro momento pode:

  • Verificar a regularidade formal e material da prisão;

  • Orientar o preso sobre como se portar durante o interrogatório policial;

  • Requerer, fundamentadamente, o relaxamento da prisão ou a liberdade provisória;

  • Impetrar habeas corpus em caráter de urgência, quando cabível;

  • Acompanhar a família, esclarecendo dúvidas e reduzindo a angústia do momento.


Considerações finais

Enfrentar uma prisão em flagrante — seja como preso, seja como familiar — é um momento de extrema vulnerabilidade emocional e jurídica. Conhecer os direitos previstos em lei é o primeiro passo para evitar prejuízos irreparáveis à defesa, mas nenhuma orientação substitui o acompanhamento técnico de um profissional habilitado.


Se você ou alguém próximo está enfrentando essa situação, não perca tempo: procure orientação jurídica especializada o quanto antes. Cada hora conta.


Este texto tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta a um advogado. Cada caso possui particularidades que exigem análise individualizada.


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Wenerson Neiva Advocacia Consultoria & Assessoria Jurídica oferece atendimento especializado em Direito Penal e Processual Penal, com atuação ágil desde as primeiras horas da prisão — inclusive em audiências de custódia e pedidos de urgência.


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